o estado de são paulo newspaper 07/11/2004 - PITANGA do AMPARO
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Arquitetura Crítica:
Como a Bauhaus russa foi morta
Ensaio de Camilla Gray que furou o boicote contra a vanguarda de Moscou sai no Brasil

Antonio Gonçalves Filho

Antes da alemã Bauhaus existiu uma escola russa de arte, arquitetura e design chamada Vkhutemas, que durou até 1927, mas o mundo ocidental ignorou sua história. De 1932, quando Stalin proibiu a arte abstrata e reprimiu a vanguarda na antiga União Soviética, até 1962, ano em que surgiu o primeiro livro sobre ela, o Ocidente boicotou a instituição soviética antecessora da Bauhaus. Essa é a tese do arquiteto paulista Pitanga do Amparo, que acaba de abrir uma editora, a Worldwhitewall, justamente para publicar obras sobre o período. Sua tese, inclusive. O primeiro livro da editora é um fundamental estudo da vanguarda russa do começo do século passado, The Russian Experiment in Art (1863-1922), escrito pela historiadora de arte Camilla Gray e publicado em 1962. Traduzido pelo próprio editor como O Grande Experimento - Arte Russa 1863-1922, o livro de Camilla é o início de uma série que pretende explicar a grande revolução estética conhecida por construtivismo russo.

A recém-criada editora Worldwhitewall lança esse primeiro livro no dia 11, na Casa do Saber, em São Paulo. Considerado um ensaio clássico sobre a pré-história do modernismo russo, o livro de Camilla Gray cobre desde o estabelecimento do primeiro grupo de artistas vanguardistas, reunidos em 1870 pelo magnata das estradas de ferro Savva Mamontov, até 1922. Nesse ano, artistas revolucionários como Lissitzky - atentos ao blo-

AUTORA TRABALHOU EM BIBLIOTECA PARA PAGAR AS PESQUISAS SOBRE OS MODERNOS

queio econômico imposto pelos aliados - cruzaram a fronteira e passaram para o lado alemão, ajudando a propagar os ideais construtivistas. Lissitzky, a exemplo de companheiros russos (como Kandinski), juntou-se às almas gêmeas que fizeram da Bauhaus referência maior da arte e arquitetura modernas.

Sobre a alemã Bauhaus o arquiteto e agora editor Pitanga do Amparo encontrou pelo menos 400 diferentes títulos durante o período de pesquisas para sua tese de doutoramento, O Grande Boicote Ocidental, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em janeiro deste ano. Sobre a escola Vkhutemas, nenhum livro. "Não há dúvida que esse boicote existiu, desde que Stalin decretou seu fechamento, praticando um genocídio artístico; primeiro, por parte dos grupos do poder capitalista, que não tinham interesse em divulgar nada comunista e, por último, de intelectuais e editores ocidentais comunistas, numa embaraçosa conivência com o regime político stalinista da União Soviética." Hitler, lembra o arquiteto, também mandou fechar a Bauhaus, repetindo o gesto de Stalin e restaurando - a exemplo do russo - o reinado da arte realista acadêmica. Como se vê, cesarismo e tirania nunca combinaram com modernidade.

A Vkhutemas de Moscou, instituição dividida em sete departamentos (entre eles arquitetura), foi definida por Naum Gabo como uma experiência revolucionária. Espécie de escola livre em que Malevich, Tatlin, Kandinski, Gabo e Pevsner mantinham os próprios estúdios, ela formou o embrião do construtivismo, movimento que associou evolução artística a desenvolvimento social na antiga União Soviética. Todos os professores, óbvio, eram de esquerda e seguiam orientações do Instituto de Cultura Artística (lnkhuk), inicialmente dominado por um programa do pintor Kandinski que contemplou, entre outras descobertas, o suprematismo de Malevich - antes das desavenças do primeiro com os construtivistas e de sua insatisfação com a vida intelectual de Moscou. Malevich, de mãe analfabeta e pai capataz (de uma fábrica de açúcar), apenas tolerava colegas como Chagall, que acabou expulsando da Vkhutemas, acusando-o de retromania.

O único livro integralmente dedicado à Vkhuternas foi escrito pelo historiador Selim Khan-Magomedov e publicado na França apenas em 1987. "Isso 60 anos depois do desaparecimento da escola", observa Pitanga do Amparo, mostrando como designers da Bauhaus apropriaram-se das idéias dos pioneiros construtivistas russos. A cobiçada cadeira Wassily (ou "B3"), projetada pelo húngaro Marcel Breuer em 1925/6, é por demais parecida com outra desenhada no mesmo ano na Vkhutemas para ignorar essa "influência", conclui o arquiteto. A diferença é que uma Wassily original custa, hoje, entre US$ 35 mil e US$ 45 mil. A da escola russa nem os museus conservaram.

Aliás, é uma das razões pelas quais a arte construtivista russa é tão pouco conhecida no Ocidente. Não bastasse a guerra fria, que boicotou a arte dos pioneiros abstratos, os museus da Rússia não sabiam o que era marketing e deixaram de mostrar o que a vanguarda russa produziu em 30 anos de experimentação, antes de Stalin decretar que a arte deveria atender, de 1932 em diante, pelo nome de realismo socialista.

O livro de Camilla Gray dá rápidas pinceladas no panorama político do período. Ela tinha apenas 21 anos em 1957, quando começou a pesquisar a arte dos pioneiros da vanguarda russa e 26 quando publicou o livro, agora traduzido no Brasil. Suas relações com a arte do período restringiram-se a visitas aos sobreviventes artistas russos que viviam em Paris ou passagens pelo Museu de Arte Moderna de Nova York. A boa vontade da pesquisadora comoveu críticos como Herbert Read, Kenneth Clark e, em especial, Alfred H. Barr, que visitou a União Soviética nos anos 20 e conheceu a maior parte dos artistas que davam aulas na Vkhutemas. Todos ajudaram Camilla, que sustentou sua pesquisa trabalhando na Biblioteca Pública de Nova York.

Até por afinidade eletiva, seu livro dedica mais espaço à romântica parceria de pintores como Natalia Goncharova, descendente de nobres, com Mikhail Larionov, filho de militar, líder e organizador de pequenas exposições que definiram o perfil da vanguarda russa entre 1907 e 1913. A dupla filtrou as idéias progressistas que circulavam pela Europa e Rússia até a Primeira Guerra, além de ter desenhado cenários para os balés de Diaghilev, que revelou Stravinski e Nijinsky. Foram os curadores das primeiras exposições de Malevich e Tatlin, os dois principais nomes do construtivismo russo. Não é preciso dizer mais


Editora vai publicar mais títulos sobre construtivistas
A Worldwhitewall tem outros livros em preparo sobre período fundamental da história da arte

A arquitetura russa da época do construtivismo conseguiu sobreviver a Stalin, mas os prédios projetados por nomes como Melnikov e Golossov nunca foram devidamente valorizados pelas autoridades, sofrendo o desprezo da história. O cidadão médio russo, quando muito, conhece o mausoléu de Lenin desenhado por Shchusev na Praça Vermelha, em 1924. O estrangeiro, também. Com o advento da editora do arquiteto Pitanga do Amparo, essa história vai sendo aos poucos recuperada em livros. No primeiro semestre do próximo ano serão lançados dois títulos sobre o assunto, Arquitetura Construtivista 1917-1936, do italiano Vittorio De Feo, e Edificação na União Soviética, do russo Oleg Shvidkovski.

O livro de Vittorio De Feo mostra como a arquitetura russa era criativa e sintonizada com a modernidade antes de Stalin, conseguindo ser mais radical que a dos alemães da Bauhaus. Contudo, devido às dificuldades econômicas da União Soviética nos primeiros anos, poucas edifi-


VISIONÁRIO- Clube projetado pelo arquiteto Melnikov em 1927/8

cações deram conta de traduzir a imaginação dos arquitetos russos e a influência do funcionalismo. Ainda assim, estrangeiros como Le Corbusier deixaram sua marca em Moscou (é dele o Centrosoyuz, de 1929).

"Tudo o que eu aprendi sobre a Bauhaus vi com muito mais pertinência nas andanças pela Rússia", diz o editor da Worldwhitewall. "Houve uma apropriação indébita, uma diluição da Gestaltung construtivista russa no Ocidente", conclui Pitanga do Amparo.


A.G.F.


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