PITANGA do AMPARO - espaco d magazine 1998
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SÍNTESE arquitetônica

HIGH-TECH, CLEAN, MODERNO. DEFINIÇÕES QUE ENCONTRAM LUGAR NO APARTAMENTO DO ARQUITETO PITANGA DO AMPARO, ONDE ELE REUNIU OS ÍCONES DE SEU TRABALHO

Texto: Anapaula Almeida Prado
Fotos: Tuca Reinés

"Este apartamento é uma síntese de tudo o que eu venho fazendo, de todo o meu pensamento de arquitetura", avisa Pitanga do Amparo, logo no início da entrevista. Partidário do pós-moderno e do high-tech, não esconde as influências que recebeu da chamada "arquitetura clean", embora deteste o rótulo. Foi em 1982, para a griffe paulistana Huis Clos, que ele desenhou seu primeiro ambiente "clean", talvez um dos primeiros projetos do país nessa linha. "Esse termo foi atribuído ao trabalho mas, na verdade, eu estava preocupado com a questão da Minimal Art." Mas ele não se limitou ao que descreve como "colocar um sofá num canto, um quadro e dizer a palavra mágica: clean!". "A base do clean é uma soma de influências, principalmente da Minimal Art e um pouco da lembrança de Mies van der Rohe, a idéia de pureza da Bauhaus." Tudo aparentemente simples, mas que retrata um trabalho desenvolvido ao longo de anos e que encontrou lugar num edifício de linhas modernistas, último projeto do arquiteto Franz Heep, suíço que passou no Brasil boa parte de sua vida. "Picasso dizia: 'Imitar os mestres é fundamental. Imitar a si mesmo é terrível.' Mas neste apartamento eu o fiz intencionalmente, foi uma 'refazenda', porque

Espaços amplos ocupados por poucos móveis e obras de arte, além das 'metarquiteturas', como a coluna inclinada, o retângulo de granito no piso com a escultura de Luiz Sôlha acima. Na parede principal, a tela acrílica sobre papel de Niculitcheff.
Se a praticidade é essencial, a cerâmica é o revestimento perfeito. As artes de Alex Cerveny, Paulo Sayeg e Niculitcheff cobrem as paredes. No living, sofá branco e mesas da Forma, cadeiras bertoia e a poltrona branca Wassily.

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Espaços integrados para a vida moderna

os meus trabalhos ficaram dispersos ou em lugares que desapareceram. É o caso das três paredes em frente à janela, a que chamei de 'metarquitetura': não têm nenhuma função estrutural prática, nenhum sentido utilitário; são apenas arquitetura, criam uma paisagem intelectual. Fiz isso para criar um contra-luz. Por trás, as paredes foram pintadas cada uma de uma cor: vermelho, amarelo e azul. Então a luz bate, atravessa a persiana, reflete e cria esse arco-íris. A noite acendo uma lâmpada para reproduzir o que acontece naturalmente durante o dia. Você vê tudo branco, o piso e as paredes, mas a cor aparece através desses reflexos", explica.

CORES VIVAS

Outra menção à loja da Huis Clos é uma escultura em forma de cilindro, no centro do living, mais um elemento da "metarquitetura". As sancas são uma lembrança da danceteria Rose Bom-Bom, também projetada por ele, e recriam a nostalgia dos balneários, dos clubes à beira-mar. "Uma coisa que eu passei a usar foi a cerâmica. Até algum tempo atrás não existia uma cerâmica branca texturizada, como esta que parece laminado. Hoje há uma infinidade de opções, além de ser um material prático e barato. Granito é mais caro, mas é outra coisa. Eu o usei em alguns pontos estratégicos, na sala, na cozinha, lugares de alta resistência. En-

A suíte em vermelho e branco tem cama desenhada pelo arquiteto e cerãmica Portobello no piso da sala de banho. A cozinha abusa das cores primárias nas paredes e dos eletrodomésticos Brastemp. As banquetas são de Sérgio Rodrigues.

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"Imitei a mim mesmo; foi uma refazenda"

Ao reler muitos de seus mais importantes trabalhos, Pitanga do Amparo buscou, neste apartamento, resgatar idéias de projetos que ficaram dispersos ou em lugares que desapareceram. Caso das 'metarquiteturas', estruturas sem função definida, mas que dão forma ao ambiente.

tão criei o que chamo de piscina virtual, numa citação indireta ao 'Quadrado branco sobre fundo branco' do pintor russo Kazimir Malevitch, precursor do abstracionismo." Sobre ela, pende a escultura 'Nada-homem', em fio elétrico, de Luiz Sôlha. Seguindo esse pensamento, móveis (poucos) e obras de arte (muitas). O único ambiente da sala de estar é ocupado pelo sofá revestido em chintz branco, a poltrona Wassily e duas cadeiras Bertoia com assentos também brancos, e mesas ebanizadas, da Forma. As paredes exibem telas de Alex Ceverny, Niculitcheff e Paulo Sayeg.
Esse despojamento no estilo de morar se completa com a integração do espaço. "Do high-tech, das histórias em quadrinhos underground, eu tirei as cores fortes da cozinha: vermelho, amarelo, azul, o que na época da reforma era uma verdadeira heresia. Aliás, era difícil pensar em azulejo de qualquer cor. Até que descobriram o óbvio: arquiteto gosta de cor, só cor, e ele mesmo trabalha a forma. E foi isso o que as empresas fizeram. Agora tenho todos os tons, no material que quiser." O tampo de granito café-imperial delimita o território do bar-cozinha revestido com cerâmicas da Portobello e recheado de máquinas, todas brancas, da Brastemp. "A lavanderia e a cozinha são uma coisa só: mudou de máquina, mudou de lugar. Elas definem os espaços. Até porque a lavanderia nem existe mais. Não se estende mais roupa, não há necessidade...", argumenta. Outra coisa que eu sempre disse, e que muitas pessoas estranham, é que não considero a banheira de hidromassagern um equipamento de higiene, mas um lazer. Foi feita para se massagear, para curtir.'' Por isso, as três suites têm banheiras integradas ao quarto. As camas, criação do arquiteto, têm encosto independente e reclinável. No piso, claro, cerâmica, prevalecendo o preto, o vermelho e o branco. "É de uma praticidade! As empregadas que me perdoem, mas elas ficaram absolutamente supérfluas!", se diverte.
Mas o tempo vai passando e o dono de galeria de arte e arquiteto de projetos transgressivos e linhas contemporâneas busca novas possibilidades. "Nesse trabalho acho até que fui conservador, mais para mostrar que tudo o que já fiz me agrada e são coisas em que acredito, e queria para mim", considera. "Mas hoje não estou preocupado em fazer construção. Lógico que vou ter que empilhar tijolo, colocar janela, mas não estou interessado nisso. Posso até fazer obra, mas estou preocupado é com o que está por trás do objeto. Assim como num quadro, não interessa a tinta, mas o pensamento que está por trás da obra. Arquitetura não é o que você desenha, é aquilo que está sempre lá", conclui Pitanga do Amparo.



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