PITANGA do AMPARO - casa vogue magazine 1980
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Arquitetura, Paisagismo, Interiores, Escultura do Jardim: PITANGA DO AMPARO
Pintura: Takashi FUKUSHIMA
Fotos: Paulo SCARPELLO


UM PROJETO PARA O HOMEM DEIXAR DE SER BURRO

Biotectura ou Arquitetura Biológica é o nome que o arquiteto alemão Rudolf Doernach atribuiu à preocupação de se incorporar à arquitetura a vida vegetal e as formas vivas e, portanto, energéticas que convivem com as plantas, das bactérias aos pássaros.

Ele próprio não experimentou nenhum exemplo de Biotectura que o satisfizesse. Foi esta a conclusão a que chegaram as pessoas que assistiram à sua conferência em 1977, no Instituto Goethe, onde, através de diapositivos, o arquiteto tentou demonstrar a importância do verde integrado às construções com contra-exemplos de sua autoria.

Todo o seu trabalho anterior era baseado nos princípios da pré-fabricação e na industrialização de protótipos de concepção aparentemente arrojada: esferas, pirâmides, elipsóides e toda gama de volumes geométricos pseudo-espaciais, a partir da utilização de derivados sintéticos, resultando num tipo de trabalho vanguardeiro para o HOMEM-DO-FUTURO-DAS-ESTÓRIAS-DO-FLASH GORDON.

Aconteceu que as casas-salsichóide mostraram-se insuportáveis ao serem ocupadas e, logo, o nosso arquiteto percebeu que havia algo de errado com elas e partiu, então, para a observação das construções mais antigas. Notou que sempre havia um elemento presente naquelas que, por alguma razão aparentemente inexplicável, o atraiam.

Eram as construções cobertas de heras, unhas-de-gato, trepadeiras ou apenas rodeadas de toda sorte de vegetação.

Realmente o homem das grandes cidades está, geralmente, apartado das formas ditas biologicamente vivas. A água que jorra em nossas torneiras é uma água biologicamente morta, o ar é altamente poluído, os mananciais hídricos...e a gente acaba chegando na Ecologia.

Até 1976, eu havia tentado, inutilmente, implantar (redundância?) dois projetos que agora podem ser tranqüilamente rotulados de exemplos concretos de Biotectura. O primeiro deles, em 1975, uma residência que não pode ser feita por falta de verba dos clientes e o segundo, uma agência bancária, por falta de visão do Banco.

Acontece que os primeiros clientes reorganizaram-se economicamente e, dois anos depois, vieram me procurar.

Mais um ano de espera, pois o cliente, que já então possuía o projeto, optou por construí-la com recursos próprios. Finalmente, em meados de 1978, foi iniciada a construção que durou cerca de um ano.

Não é preciso dizer que houve momentos de dúvida e desânimo por parte dos clientes, sem falar dos "conselhos amigos" de vizinhos e familiares para parar com essa "loucura", "querida, onde você está com a cabeça", "essa casa não vai funcionar", "em que revista você viu uma casa desse jeito?", por aí...

A proprietária, que já gostava de plantas, atualmente mora envolvida por jardins e está feliz como nunca.
Só mais um detalhe:

Ela se chama Dna. FLORA.

Pitanga do Amparo
25/03/1980

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