PITANGA do AMPARO - au magazine 1986 february
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Pitanga do Amparo

"Da riqueza de posturas surge a riqueza de projetos"

Pertencente ao grupo de arquitetos "não alinhados" como Carlos Bratke, a originalidade deste jovem e irreverente arquiteto transparece já no nome. Luís Antônio faz questão de ser conhecido apenas como Pitanga do Amparo.
Formado em 1973 pela FAU/USP, como toda sua geração sofreu forte influência de Sérgio Ferro de quem apreendeu a linguagem de um processo construtivo insólito até então: expor "visceralmente" estrutura e tubulações. À supressão de acabamentos, Pitanga acrescenta cores primárias fortes e muita luz, empregadas intensivamente: "Uma arquitetura para ser vivenciada e não apenas vista, com um outro tipo de sensualidade, ou melhor, a sensualidade ao alcance das mãos".
Defendendo o retorno da arquitetura enquanto arte e processo criativo inseparável das demais manifestações culturais, Pitanga do Amparo foi fortemente marcado pelos movimentos de contracultura, então em voga nos anos 70. Ele busca inspiração para sua arquitetura no humor, nos quadrinhos, na música pop, no rock, no free-jazz de Jean Luc Ponty e de John McLaughlin ou no cinema. Ironicamente, denomina essa arquitetura de fusion-style, parodiando o jazz-fusion. E faz questão de afirmar que não tinha conhecimento dos projetos de vanguarda que estavam surgindo fora do Brasil: "achei o caminho sozinho".
Um ano após se formar ingressou na Itauplan projetando várias agências bancárias, "barbarizando vermelhos, azuis e amarelos" até ser afastado, em 76, por ter idealizado o sistema de ar condicionado de uma das agências na forma de aranha vermelha.
A partir desse incidente começou a carreira de autônomo, "tocando" obras por ele projetadas na periferia de São Paulo. O arquiteto observa que esse trabalho resultou num grande enriquecimento interior, ensinando também ser possível a racionalização da construção sem prejuízo da criatividade.
Seus projetos ganham maior notoriedade na Mostra de Arquitetura Brasileira, realizada em Buenos Aires em agosto de 83, onde se revelaram vários arquitetos de talento, até então desconhecidos, com obras desvinculadas do Movimento Moderno.
-"A arquitetura pós-moderna brasileira nada tem a ver com a americana ou com a européia. É apenas aquela que não segue os mesmos valores do modernismo. Na minha arquitetura, o pós-moderno é utilizar biotectura, empregar a high-technology, trabalhar o tijolo aparente".
Com relação à high-tech, Pitanga do Amparo recorda o seu uso na Agência Cancela, no Rio de Janeiro, já em 74. Teto amarelo, duros vermelhos, aparelhagem de ar condicionado em caixas de vidro, toda uma simbologia underground da época: sangue correndo nas veias, drogas.
Dez anos depois é fácil observar uma evolução no seu trabalho. A cor forte, utilizada para compensar falta de recursos econômicos, foi substituída pelo branco na composição de interiores. Brancos são todos os ambientes da loja "Huis-clos" destacando colorido do vestuário exposto e que mereceu o Prêmio IAB de Arquitetura de Interiores de 83.
A cor, por outro lado, está presente em trabalhos mais recentes, sob a forma de luz; a reflexão das três cores primárias recompõe o arco-íris.
Na danceteria "Rose Bom Bom" Pitanga do Amparo se serve do "retro" quase como uma provocação. "É uma estética 'retro-futurista', bastante contraditória, assegura ele. Se, por um lado, nega, por outro afirma. A arquitetura da fachada sugere um 'balneário futurista', perdido e recuperado pela minha memória afetiva" .
O arquiteto, que recebeu novamente o prêmio IAB-85 de Arquitetura de Interiores, sugere aos jovens que criem sem inibições por mais ridículo ou pretensioso que possa parecer". - "Da observação do trabalho realizado os erros serão corrigidos, as arestas aparadas. Então, quem sabe, despontará o grande filão".
- "É da riqueza de posturas que surge a riqueza de propostas. O excesso, de conceituação, a obrigação de ser genial ou ter que satisfazer uma ideologia apenas inibem a criatividade do projetar. A sociedade está em crise, os conceitos estão sendo repensados; está se tentando propor uma outra estrutura, porque a existente não serve mais. Não se pode, portanto, ficar estagnado".
E brincalhão, conclui: "não estou preocupado com a ressaca. Quero tomar minhas biritas e, depois, se for preciso, o engov".

Texto: Haifa Yazigy Sabbag
Ilustração: Hermenegildo Sábat

Fotos:
1. "Rose Bom Bom"
2. Pitanga do Amparo. Ilustração de Hermenegildo Sábat
3. Apartamento Luciano Nascimento. Prêmio IAB/85 Arquitetura de Interiores
4. Huis-Clos. Prêmio IAB/83 Arquitetura de Interiores
5. A temível aranha



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